Desculpem o trocadilho infame, mas a vida é feita de altos e baixos. Altos, fortes, morenos, sensuais, possíveis...

domingo

Eu...

Por muito tempo eu fiz o que eu quis. E fazer o que se quer é um privilégio. Você tem que ir contra muitas opiniões, mas afinal, é o que você quer. Por muito tempo eu fiz o que eu quis e não o que precisava fazer. E desta vez, mesmo doendo e me machucando, mesmo tendo que voltar um passo atrás, eu vou fazer o que preciso, pensar um pouco mais em mim. E infelizmente, menos em nós dois.

Viva...


A morte afeta, não importa se ela vem logo ou pondera a vir. Quando ela chega, afeta. Que seja qualquer ser vivo…

Lembro de uma vez que eu fiquei no quintal da minha casa brincando com formigas e aqueles bichinhos tatu bola, que se encolhem e viram bolinha, sabe? Fiquei toda uma tarde e me diverti demais, fui dormir pensando nos dois, iguaizinhos àqueles do filme Vida de Inseto. Quando acordei, fui pra aula e voltei no muro onde os tinha deixado, provavelmente eu não ia achá-los e aquele seria um dia que passou e deixou lembranças, mas eles estavam lá, do mesmo modo. Só que imóveis. Eu não lembro que idade eu tinha, mas lembro que foi a primeira experiência com a morte afetando algo que havia me deixado feliz. E foi rápido, um dia eles estavam lá, outro dia não. Não sei ao certo o que aconteceu, talvez foi eu mesmo brincando e cansando eles, mas sei lá, a morte afeta e ela sempre vem. Isso foi me passado pela primeira vez. Dá para se criar as melhores lembranças antes que ela chegue ou ter medo da sua presença, mas para que a segunda opção? Imagine quantos sorrisos se pode arrancar de uma única lembrança de algo vivo, algo que tem seu destino e suas necessidades igual a nós. Imagine quanto se pode aproveitar sem ter medo? Quanto se pode aprender, criar, experimentar e principalmente… Viver. Aproveite, viva. Aproveite vivendo.

quarta-feira

Sempre

Sempre. Certas coisas sempre serão para sempre. Sempre terão a vivência ocorrida que as tornou indestrutíveis no tempo e as fizeram eternas. E aquele sempre será o morrinho ao lado do barzinho de bebidas onde te vi pela primeira vez. E aquela sempre será a rodoviária onde você foi me buscar sem sinal de celular pra saber se eu realmente estava chegando. Aqueles sempre serão os ingredientes da nossa primeira janta. Os quadros sempre vingarão minha estante. A chuva sempre fará parte da nossa história de sacrifícios. O azul sempre será a cor do nosso dia de namoro. Aquela sempre será a melhor e mais cara sobremesa de nossas vidas. Aquele sempre será o tempero secreto do molho. Você sempre me ganhará naquele jogo de luta, não importa o quanto eu treine. Aquela sempre será a pipoca que deve ser comprada. Aquele sempre será o lugar onde te disse tchau e você foi pra mais perto do céu e longe de mim. Aquele sempre será o desenho favorito com um valor especial por ter trazido tantas risadas e piadas. Aqueles sempre serão os nomes dos nossos filhos. Aquelas duas palavras sempre nos trarão força e te farão lembrar de mim. Aquele sempre será o lugar onde gostaria de te pedir em casamento. Suas mãos sempre serão minha parte favorita do seu corpo. Você sempre será meu primeiro e verdadeiro amor, o mais sincero. Este sempre será o sentimento que sinto por você e estará dentro de mim: Amor. Meus olhos sempre estarão em chamas.

domingo

Cansei...



Cansei das promessas de compra e das devoluções gastas do meu corpo. Cansei de expor minha alma se no fim tudo acaba mesmo. Então tá aqui ó: peitinhos, coxas, barriga e o buraco que você tanto quer. Leve de uma vez e me engane por alguns dias. Você é igual a todos os outros e todos os outros são: lixo. O amor não existe, e, se existe, não dura pra sempre. E, se não dura pra sempre, não é amor. E nada dura pra sempre. E então o amor não existe. (...) A verdade é que mais cedo ou mais tarde você será traído, porque todo mundo tem medo de viver a entrega. A verdade é que ninguém se entrega porque ninguém se tem. A verdade é que não estamos aqui, estamos em algum lugar seguro vivendo nossas vidas medíocres. A verdade é que todo esse perfume é vergonha de nossa essência, todas essas marcas são vergonha do nosso corpo, todo esse charme despretensioso é vergonha de nossas fraquezas. A verdade é que nada é inteiro porque até o inteiro para ser todo precisa ter seu lado vazio. A verdade é que não dá para fugir da dor, e eu continuo correndo, correndo, correndo e não saindo do mesmo lugar.

terça-feira

Foda-se esse amor. E foda-se você.

Sempre achei que esse amor era coisa de quem não tinha nada melhor para fazer. Eu só o sentia porque estava infeliz naquela vida pacata. Só por isso. Resolvi então agitar a vida pacata. E comecei a sair mais de casa, enxergar as pessoas ao meu redor, mais viagens, mais baladas. Amor é coisa de gente pacata e agora que eu tinha uma vida agitada, poderia, finalmente, mandar esse amor embora. Tchau, coisinha besta.
Nada feito. Só piorou. Acordava e ia dormir com ele engasgado aqui. Ficava inconformado. Mas aí concluí: amor é coisa de quem tem tempo pra pensar nele. Claro, mesmo com a semana agitada entre faculdade e trabalho, eu fico em casa o fim de semana todo, alegando cansaço, no silêncio das minhas coisas, claro que acabo pensando besteira. Aquele papo de mente desocupada casa do diabo, sabe? Amor do diabo. Fui procurar Jesus.
Depois de dez passes e de ler todo o Evangelho Espírita, achei que ficaria tudo bem. Ficou nada. Eu só parei de sonhar que botava fogo no apartamento do ser amado ou que arrancava os olhos de todos do mundo. Parei, talvez, de odiar o amor. Mas o amor, na verdade, ficou lá. Duro que nem pedra. Daqueles que não vão embora nem com reza brava.
Amor adolescente, pensei. Com certeza, se eu virar homem, esse amor bobinho passa. Amor de menino bobo. Tratei, então, de virar homem. Quem sabe mudando o visual, esse amor não se mudava de mim? Nada feito. Cabelo novo, roupas novas, sapatos novos, novas contas pra pagar. E o mesmo coração idiota. O mesmo amor de sempre. Coisa chata, não?
Ah, que que é isso! Amor deve passar com um novo amor, não? Olha lá aquele menino bonito te olhando, o outro que escreve bonito, o outro que te faz rir um monte, tem também aquele ali, com mão firme. Nada. Nenhum deles foi capaz de me salvar, de substituir minhas células cansadas em sentir sempre a mesma coisa. Nenhum foi capaz, nem por um segundo, de me levar para passear em outros tormentos. Ou outras alegrias. Qualquer outra coisa que seja.
Aí veio a idéia brilhante. Será que se eu mergulhasse de cabeça na estupidez desse amor, não me curava? Será que se eu, por um minuto apenas, parasse de sentir tudo isso de dentro da grandiosidade que eu inventei para tudo isso e enxergasse de perto como tudo é tosco e pequeno, eu não me curava? Só piorou. De frente para ele e suas constatações tão absurdas a respeito de tudo, só consigo sentir ainda mais amor. E quanto mais e maiores motivos para não sentir, ele e a vida me dão... Adivinhem? Sim, o amor cresce. Irresponsável, sem alimento, sem esperança e de uma burrice enorme. Ainda assim, forte e em crescimento.
Mas esse amor, ah, esse amor é coisa de quem não ama a própria vida. Se um dia, um dia eu pudesse realmente ser um Administrador. Ou até, nossa, se eu pudesse trabalhar numa grande corporação sabe? Esse amor iria embora, claro. Nada feito. Estou aqui graças a minha maior qualidade: a fé. Sim, isso só não funciona pro amor, mas pra todo resto na minha vida acreditar sempre funcionou. Tudo certo com a minha vida. Ou quase tudo certo. Ainda sinto esse amor ridículo. Essa coisa infernal que me vence todos os dias, todos os minutos. Quantos bons contatos me admiram e me elogiam. Ainda bem que alguém além de mim acredita em mim. É tanta coisa boa acontecendo, tanta gente boa se aproximando que tá na hora de acordar. Enxergar. Receber.

Taí. Tá bom. O amor venceu. Você venceu. Venceu. Venceu. Venceu. E eu acabo de descobrir, simples assim, a única maneira de me livrar desse sentimento: aceitando ele, parando de querer ganhar dele. Te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida. Foda-se esse amor. E foda-se você.

domingo

Ódio...



 Odeio sentir pena do que já não me faz bem. Odeio sentir dó do que eu amo. Odeio odiar… ‘Onde existe ódio existe amor’ me disse certa vez uma caixa de supermercado numa conversa rápida que tivemos quando eu estava bêbado e resolvi desabafar. Ela tinha razão, e tem até hoje. Sabe, as pessoas que mais nos marcam e dão conselhos que mudam as nossas vidas são aquelas de que menos nos lembramos. Talvez por caus da bebida que eu não lembre muito bem, mas é detalhe… Eu sei que esse meu ódio cresce e desaparece, volta com mais força e some de novo. Só sei que existe ódio, e se ódio é amor, eu odeio amar você.

Hoje...


Hoje eu acordei. E hoje tudo me irrita. Tudo parece errado, torto, diferente de como eu deixei antes de ir dormir. E era pra continuar igual quando acordasse…

Mas não. Hoje todo mundo resolveu discordar de mim, hoje todo mundo resolveu fazer algo pra me irritar, hoje todo mundo resolveu batucar na mesa, arrastar a cadeira, sujar a louça sem lavar, ficar no computador sem me deixar usar, ouvir músicas que eu odeio, rir alto sem me contar o motivo pra rir junto, se bem que eu duvido que iria rir, porque hoje todo mundo resolveu fazer piadas sem graça. Hoje todo mundo resolveu perguntar: O que você tem? Hoje todo mundo podia sumir até meu dia passar e eu ir dormir de novo. Mas… eu gosto de dias assim, porque são neles que eu paro e penso nas coisas sem perguntar a opinião de ninguém e tomo decisões próprias, faço planos, imagino momentos, organizo vontades, arrumo sonhos por ordem de urgência e necessidade pra vida ficar mais interessante. Dias como hoje são feitos pra olhar mais pra si e menos pros outros, mesmo que você note o que todo mundo está fazendo só pra poder reclamar. Dias como hoje são mais íntimos que nossos próprios aniversários.

sábado

Fatos... e acontecimentos...


A gente pode dizer que está bem, dar um sorriso querendo um em troca, mas não por condição, mas pelo sorriso do outro ser tudo que você queria ver e achar que o seu bastasse pra isso, podemos não chorar, aguentar, podemos respirar mesmo quando dói até mesmo pra isso. Podemos ser entendedores de nós mesmos, podemos querer o bem do outro acima do nosso.

Mas chega uma hora que não há como esconder que estamos mal, o seu sorriso não veio e o meu não sai mais, e a gente desaba e então começamos soluçar porque o ar ruim preso precisa sair e sai descontrolado. A gente já não se entende e nos julgamos mal a nós mesmos. Mas querer, progredir para o bem do outro… Sempre, isso sempre, isso nunca acaba.

Frio... Está frio...


Tá frio.

Falta o pezinho esfregando no outro e a gente bem de pertinho com nariz colado rindo por nada, só por estarmos felizes.
Falta eu e você debaixo das cobertas, tomando um chá ou chocolate quente, vendo um filme qualquer, porque nem vamos acabar de assistir.
Acordaremos com o menu tocando a mesma musiquinha pela centésima vez e percebendo que dormimos na metade, abraçados e felizes.
Falta nos enchermos de cachecol, lã, gorro e sairmos na rua pra só depois perceber que não temos luvas e as mãos estão congelando.
É então que a gente anda coordenando o passo pra poder ficar se esquentando de mãos dadas e felizes.
Percebeu que todos os momentos são felizes?
Todos os momentos me imaginando com você acabam assim… Felizes.
Tá frio.
Falta você. Tá frio.
Tenho saudade. Tá frio, quero te cuidar dele, e de todos os outros frios que virão.

quarta-feira

Metade...


porque, há muito, eu erro a mão. a dose. esqueço a receita do equilíbrio. o quanto uso das partes que brigam dentro de mim. há muito, eu me confundo. porque metade não tem medo e levanta os braços, na descida da montanha-russa. olhos abertos, enquanto outra acha melhor enfrentar a queda com as mãos na barra. segurando forte. espremendo os dois olhos, fechados, desde o começo do percurso. metade prefere brincar na beira da praia. no raso. enquanto outra não vê problemas em pular dezenas de ondas e nadar onde a pequena bandeira vermelha, agitada pelo vento, avisa sobre o risco. sobre o possível afogamento. porque, há muito, eu erro a receita do equilíbrio. uso a parte que não deveria na hora em que não poderia. me confundo com as metades que brigam dentro de mim. porque parte acelera na estrada, no momento da curva fechada. pé direito até o fim, enquanto outra freia, bruscamente, ao ver a primeira placa. seta torta, avisando sobre o perigo. metade não suporta a burrice, a pequenez, a lerdeza. outra, sempre calada, tolera a banalidade. engole a ignorância. convive com a mediocridade. há muito, eu erro a mão. a dose. me confundo com o que devo usar. porque metade briga. explode. dedo apontado na cara, enquanto outra se recolhe, quieta, debaixo da cama. no quarto fechado. no tudo escuro. metade berra. outra sussurra. tenho uma parte que acredita em finais felizes. em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado. tenho uma metade que mente, trai, engana. outra que só conhece a verdade. uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. outra que sobrevive sozinha. metade auto-suficiente. mas, há muito, eu erro a mão. a dose. esqueço a receita do equilíbrio. me perco. há dias em que uso a metade que não poderia. dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria. porque elas brigam dentro de mim, as metades. há algumas mais fortes. outras ferozes. há partes quase indomáveis. metades que me fazem sofrer nessa luta diária. Não deixar que uma mate a outra.